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Você sabe a diferença de Diplomação e Certificação?

Por Tiago Martins da Fonseca - Sócio na CELINTBRA


Muitas vezes nos deparamos no mercado com profissionais certificados para realização de alguma atividade específica.


Em linhas gerais, certificar pessoas indica avaliar profissionais e atestar que os mesmos reuniram as condições necessárias para receber tal certificação, estabelecidas a partir de requisitos, que podem incluir (dentre outras várias possibilidades): provas teóricas, exames práticos, avaliação de currículo, análise de perfil e experiência adquirida, dentre várias outras possibilidades.


No entanto, quais seriam as diferenças, vantagens e desvantagem existentes entre uma certificação e uma diplomação, isto é, a obtenção de um diploma a partir de uma formação concluída em qualquer nível: curso superior, curso técnico, curso de especialização e etc?

É comum no mercado esta dúvida de profissionais que estão em busca de algum conhecimento ou reconhecimento específico a respeito de determinado tema, haja vista sua importância para tomada de decisão quanto ao melhor caminho a ser adotado frente aos seus reais objetivos e interesses.


Quanto ao cumprimento de regras e requisitos obrigatórios, o processo de certificação não tem necessariamente a obrigação de segui-los, exceção aqueles regulamentados por entidades públicas, tais como as certificações regulamentadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) ou outras entidades não governamentais, mas com representatividade e reconhecimento de mercado, como a Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (ABENDI). Tal condição se repete na diplomação em cursos de formação, exceção aos regulamentados por entidades públicas (Ministérios e Secretarias de Educação).


Por outro lado, a diplomação indica obrigatoriamente a existência de uma formação, normalmente disponibilizada a partir de aulas, exercícios, simulações e um mecanismo de avaliação do candidato. Já a certificação não pressupõem necessariamente um curso de formação com todas estas características.


Dependendo dos requisitos estabelecidos para concessão da certificação, esta pode estabelecer como critério, por exemplo: entrevista com candidato, aplicação de avaliação com o candidato (pressupondo que este já dispõe do conhecimento necessário para realizá-la), análise de sua qualificação e experiência profissional. Ressalta-se, no entanto, que para muitas certificações deste tipo, a formação obrigatória soma-se e é integrada a outros requisitos do processo de concessão, o que nestes casos já representa importante diferencial.


O fato da certificação integrar um curso de formação dentre outros requisitos obrigatórios, tais como: análise de currículo, entrevistas com candidatos, simulação real de execução, avaliação de perfil e experiência profissional, estabelece uma fronteira clara entre ser diplomado ou certificado, haja vista que podemos ter profissionais formados ou diplomados em determinados cursos de formação, mas que não necessariamente alcançam determinada certificação.


Quando bem estabelecida, esta fronteira criada pelo processo de certificação tornam-se um referencial importante ao mercado na ocasião do processo de recrutamento e seleção de profissionais. Afinal, se sua empresa está disposta a contratar um profissional já formado, com experiência prática e perfil indicado para determinada função, a certificação é sem dúvida o melhor caminho. Por outro lado, se a sua intenção é buscar um profissional que já dispõe de base conceitual sólida em determinado assunto apenas, para adquirir experiência e ter seu perfil avaliado no curso de sua atuação na empresa, o curso de formação torna-se suficiente.


Um segundo aspecto importante que diferencia uma certificação de uma diplomação diz respeito a atualização do profissional certificado. Enquanto os processos de diplomação são estáticos, os processos de certificação devem ser dinâmicos. Levando-se em conta as melhores práticas de certificação adotadas, pressupõem-se que esta possui um período de validade, assim como regras e critérios de revalidação periódica.


Tal condição obriga o profissional a manter-se atualizado, buscando mais conhecimento e novas experiências para garantir a manutenção de sua certificação. Em alguns casos, uma mesma certificação pode inclusive disponibilizar níveis ou estágios diferenciados de reconhecimento, em que estágios ou níveis superiores do reconhecimento estão relacionados a comprovação contínua e progressiva de maior conhecimento e experiência em determinado assunto.


Por outro lado, exceção à pró-atividade do diplomado, a diplomação não obriga o profissional a manter-se atualizado, ficando a cargo do mercado de trabalho medir e atestar tal condição. Vejamos o exemplo do exame da Ordem dos Advogados do Brasil ou a formação superior de profissionais de medicina.


Ambos os temas (Direito e Saúde) estão em constante atualização e desenvolvimento, um diante do surgimento de novas leis e jurisprudências, outro a partir da evolução tecnológica, da pesquisa científica e do surgimento de novas enfermidades. Inexistem quaisquer meios de diferenciarmos um profissional aprovado no exame da Ordem em 1995 e outro recém aprovado em 2019.


No entanto, certamente o conteúdo empregado na formação e avaliação do profissional recém formado já passou por várias modificações, se comparado aos profissionais formados anos atrás. É claro que para estes casos, o próprio mercado, concursos existentes e resultados auferidos por estes profissionais, acabam por expor sua real condição de atualização, conhecimento e acúmulo de experiência prática. De fato, para algumas funções e atividades específicas, com destaque para aquelas não relacionadas ao Core Business do contratante, a terceirização desta tarefa torna-se uma decisão estratégica e muito importante.


Diante da necessidade da formação de um conselho consultivo na sua organização, ou diante da necessidade de realização da contratação de um inspetor de solda em tubulações, por exemplo, provavelmente você não estará disposto a contratar o profissional para testar seus conhecimentos e experiência em governança corporativa ou na realização dos testes aplicáveis à soldas em tubulações, mas sim ter a certeza de que o mesmo estará habilitado para cumprir sua missão com qualidade e credibilidade. São nestas ocasiões que a certificação, quando bem estruturada e empregada, tem grande relevância.


Na mesma direção deste aspecto, os próprios critérios e requisitos de uma certificação passam por revisão e atualização constante. Erros cometidos, falhas identificadas, novas tecnologias, novas teorias e conceitos, novas exigências e tendências de mercado são algumas das causas que levam a atualização e revisão de critérios e requisitos de uma certificação qualquer, incluindo a certificação de pessoas. Em adição a isso, quando bem estruturada, a certificação não só passa a exigir o cumprimento destes novos critérios e requisitos por parte de novos candidatos, quanto também estabelece prazo para que profissionais já certificados atendam aos mesmos. Tal condição garante um referencial sempre atualizado, transparente e objetivo ao mercado.


Por fim, o processo de certificação pressupõem rastreabilidade, imparcialidade e credibilidade. Isto é, não pode e não deve ser interesse do organismo responsável pela certificação vender o certificado, mas sim atestar a conformidade do candidato para com os critérios e requisitos estabelecidos, através de um processo de certificação imparcial, transparente e inflexível.


Ainda que uma Universidade ou Curso tenha sua imagem prejudicada ao lançar profissionais despreparados ao mercado, na prática seu foco é a venda do curso de formação. É notório que em um curso de formação de nível superior ou técnico, o esforço e dedicação do aluno é parte tão fundamental quanto à qualidade do ensino, da estrutura e dos docentes.


Em adição a isso, existem ainda outras variáveis, tais como: qualidade dos docentes de uma mesma disciplina ou o grau de exigência nas diversas avaliações realizadas, por exemplo. Razão pela qual não é raro encontrarmos dois profissionais formados em uma mesma instituição com performances e resultados bem diferentes.


Em um processo de certificação, ainda que no Brasil tenhamos sérios problemas no que tange a banalização das mesmas, o produto final é a credibilidade do organismo certificador. Em se tratando de uma avaliação específica, conduzida através de critérios e requisitos rígidos, transparentes, padronizados, desenvolvidos com foco na minimização das subjetividades, e aplicados de forma individualizada a cada candidato, o volume de variáveis torna-se potencialmente inferior. Condição esta que, em teoria, garantem maior efetividade de seus resultados e a credibilidade do organismo certificador.


O controle e a rastreabilidade ficam a cargo de um sistema de gestão o qual deve estar implementado no organismo certificador, capaz de estabelecer atualização permanente dos critérios e requisitos, rastreabilidade e controle das evidências e dados de cada candidato, transparência e acessibilidade da informação daqueles que foram certificados, isenção e imparcialidade na avaliação de cada candidato, além de garantir a padronização do processo de avaliação e a atualização e melhoria constante dos processos internos do organismo.


Diante deste cenário, cabe a cada profissional entender bem quais são seus objetivos profissionais, e direcionar seus esforços para o reconhecimento que considerar mais relevante e efetivo para sua função no mercado.


Publicado no LinkedIn. Disponível em: link

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